
Projeto Amamentar - Juliana
Juliana e Catarina
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De todas as perguntas que me faziam sobre medos relacionados à gestação, esse era o único tema que realmente me assustava. Amamentação. Medo de ter pouco leite, medo de não saber como oferecer, medo de precisar usar fórmula, medo de não conseguir amamentar.
E esse medo não surgiu porque o meu maior sonho era amamentar, mas porque eu sempre quis o melhor para a minha filha — e acreditava que amamentar era o melhor para ela.
Para que tudo desse certo, eu queria a golden hour, uma cadeira de amamentação, almofada de amamentação, camisola, sutiã, roupas adaptadas, o quarto perfeito e, principalmente, privacidade. Ah! Privacidade e silêncio eram, para mim, o mais importante de tudo naquele momento mágico que seria a amamentação.
Graças a Deus, tive vários itens dessa lista. E, graças a Ele também, não tive outros.
Desde o nascimento da Catarina, parecia que eu tinha nascido para amamentar. Saí da maternidade confiante de que tinha muito leite. Mas essa confiança logo deu lugar ao medo novamente.
Sabe aquele medo de ter pouco leite? Ele voltou por volta do segundo mês de vida, quando uma médica disse que minha bebê não estava perdendo peso, mas também não estava ganhando o esperado.
A partir daí, fiz tudo o que me orientavam — menos uma coisa. Fazia massagem no rostinho dela para estimular, tomava chás, fiz translactação, ia ao banco de leite toda semana para pesá-la, me tranquilizar (ou não), aprender mais sobre pega, posição, ordenha... e também para desabafar sobre a vida.
Depois de meses de tentativas, compra de cursos de amamentação e de viver sob a minha teoria de que bebês choram por tudo — inclusive de fome e até por causa do sol nos olhos — eu simplesmente percebi que só precisava amamentá-la.
Sim! Lembra que eu disse que "fiz tudo o que me orientavam, menos uma coisa..."? Então, eu achava que amamentava em livre demanda, mas, na verdade, eu nem sabia o que isso significava.
Foi em um dia, escutando, vendo e sentindo minha bebê chorar, que me permiti colocá-la para mamar fora do “horário”, depois de já ter tentado fazê-la dormir no escuro, com música, contando 20 minutos... Eu simplesmente amamentei sem regras — e isso mudou tudo.
Finalmente, entendi o que era livre demanda. Entendi que minha filha precisava de mim, e que a minha amamentação era, sim, o melhor que eu podia fazer por ela em qualquer momento.
Depois disso, continuamos tendo altos e baixos, passando por fases desafiadoras como a minha volta ao trabalho — mas a confiança voltou. Aquela confiança que eu tinha quando saí do hospital me achando, lembra?
Agora, essa confiança vem acompanhada de maturidade e certezas.
Estamos vivendo uma fase que eu sonhava: a fase de vê-la interagindo comigo enquanto amamento. Por vezes sorrindo, pegando nos meus cabelos, fazendo carinho na minha pele e me olhando com olhos de jabuticaba.
Que, por sinal, sempre foi uma das minhas frutas preferidas.
Texto: Juliana Nobre