
Projeto Amamentar - Barbara
Barbara e Benjamin
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Quando eu engravidei eu me preparei muito pro parto normal, era um desejo MUITO forte, e tava muito segura com a equipe escolhida. Quando elas carinhosamente vieram me informar que teríamos que ir pra cesárea, eu não me frustrei. Mas a primeira 'refeição' do meu filho ter sido fórmula foi o fim pra mim, eu fiquei ARRASADA.
Calma, eu explico.
O meu trabalho de parto não evoluiu e fomos pra cesárea, Ben nasceu ótimo, mas sem interesse por mamar, e me falaram que isso era bem normal, que ele podia ficar até 12hs sem mamar. Ele nasceu 3:49 da manhã, logo, até às 15hs estávamos dentro do esperado.
Acontece que por volta de meio dia ele teve um episódio de engasgo, sem nunca ter mamado, desses de ficar roxinho e tudo , as enfermeiras e pediatra foram ágeis , era resto de parto, ele não se interessou por mamar pq nasceu nauseado. Foi feita a lavagem no estomagozinho dele e me explicaram : pronto, tiram tudo que tinha dentro dele, ele não pode mamar nos próximos 40 minutos, mas em 1 hora ele TEM que mamar.
Passado o susto eu conversei com as enfermeiras e pedi auxílio para nossa primeira amamentação ANTES das 14hs, pq as visitas iam chegar e eu queria ter esse momento com calma.
Já sabe o que aconteceu né ?
Avós de primeira viagem enlouquecidos dentro do quarto, tia que veio de outro estado, um bebê com fome, uma mãe perdida no puerpério e preocupada pq o bebê nunca mamou... e entra uma enfermeira meio sem paciência. Foi caótico. Em um segundo eu pensei em dar um grito e pedir pra todos saírem.
Meu marido me abraçou, e falou : tá tudo bem! Respira, eu tô aqui com você.
A enfermeira leu o prontuário e falou: mãezinha, vou preparar a fórmula, passou da hora dele comer e ele não tá pegando bem o peito.
Ahh... Eu fiquei péssima. E eu tinha muito , muito leite.
Os ânimos se acalmaram, as visitas foram embora e eu ia avaliando mentalmente as enfermeiras que entravam pra ver pra quem eu ia pedir ajudar.
Apareceu um anjo e falou: não temos que falar de fórmula, tem leite , tem mãe querendo amamentar, vamos ensinar o bebê e vai dar certo.
Já chamou meu marido e falou: vem, eu vou te ensinar a ordenhar, vc vai tirando o leite, se acontecer dele não pegar peito, daremos o leite dela na sonda. Ben não pegou o peito. Mas já me acalmei um pouco. E passamos a madrugada toda ordenhando e oferecendo na translactacao.
Mas, ele vinha perdendo peso, um pouco a mais que o esperado: as enfermeiras mais sem paciência já vinham com fórmula ( foram 3 doses no total ). E nossa alta atrasou até que ele parasse de perder peso. Eu me agarrei a enfermeira que tava disposta a me ajudar e seguimos. Tava evoluindo, mas eu me sentindo muito insegura, será que ele tá com fome ? E o peso? Tivemos alta ( pro meu desespero) se com ajuda já tava difícil, imagine sem.
Na primeira manhã em casa, mandei mensagem pra pediatra : vou dar a vacina bcg e a tarde vou ao banco de leite.
Ela foi firme : a bcg pode esperar. Vá direto ao banco de leite. E lá fomos nós. Eu só sabia chorar.
Eles me acolheram , passaram novas orientações, e além da sonda de translactaçao, deram a opção de colher dosadora.
Avaliação por fono ele passou por umas 3. Sem indicação de frenectomia. Era só uma questão de ajuste mesmo.
Amamentar era um evento. Relógio pra despertar, pote pra esterelizar, sonda pra comprar. Meu Deus, como foi difícil. E todo mundo falava: calma, vai passar , daqui a pouco entra no modo automático. Impossível imaginar isso naquela época. Meu peito não chegou a ferir, mas ficou muuuuito 'gasto' e sensível. Sessões de laser me ajudaram. E foi passando, o Ben que só perdia peso começou a estabilizar, e parar de perder já era motivo pra comemorar. Começou a ganhar 5, 9 gramas por dia. Ainda fora do ideal, mas também motivos pra comemorar. Até que o banco de leite que estava me atendendo dia sim, dia não, me deu alta e falou: parabéns, mamãe. A amamentação está estabelecida.
Eu nem acreditei, e ainda não me sentia 100% segura, mas sim, tava rolando. Foram uns 17 dias de insistência, 3 doses de fórmula na maternidade, nenhuma em casa. E se você me perguntar a minha resposta é clara: eu faria tudo de novo.
Escrevo esse relato na semana que meu filho faz 1 ano. Ele com uma saúde de ferro, nunca ficou doente e eu sei que a minha insistência na amamentação foi parte disso. Seguimos aqui na livre demanda.
E agradecidos, porque mamãe tem redução de 2 horas na redução da jornada de trabalho para poder continuar amamentando. 馃挋
