
Projeto Amamentar - Ana Claudia
Ana Claudia e Catarina
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A gestação da Catarina foi MA-RA-VI-LHO-SA. Não tive nenhum sintoma de enjoo, vômito, azia, indisposição apenas muito sono!
Foi uma gestação leve, os hormônios me permitiram entrar em um transe harmônico em que, nesses meses, eu vive uma tranquilidade sem fim. Sonhei com meu parto por dias e dias, queria um parto natural dentro d’água. No entanto, a vida nos ensina a sermos resilientes nas horas mais inusitadas. Assim, a Catarina veio pélvica, em um parto nada sonhado com direito a sustos e UTI. Ela precisou de intervenções e a nossa tão sonhada e almejada golden hour não ocorreu.
Meu peito ficou esperando esse grande encontro, o coração ficou dilacerado e fui ver a minha pequena horas depois do seu parto.
Nos primeiros dias o colostro desceu e ficou perdido, até tentei coletar, mas sem o estímulo da boquinha da Catarina, meu peito não produziu muito leite.
Ela ficou em dieta zero nos primeiros dias, depois foram introduzindo leite materno por sonda e nós duas fomos obrigadas a adiar esse nosso encontro.
Com o tempo fomos nos aproximando e o toque pele a pele foi ocorrendo até que finalmente ela sentiu meu cheirinho e eu senti seu rostinho encostando no meu peito.
Pela falta de produção boa de leite, fomos obrigados a utilizar a translactação. Para quem não conhece, a amamentação natural ocorre em conjunto com a introdução de uma sonda em que o bebê, ao mesmo que amamenta o peito, ele ingere fórmula. Foram meses muito duros e sofridos. Eu, lutando contra tudo e todos, buscando com todas minhas forças insistir na amamentação e a minha pequena tentando aprender a como fazer a pega correta.
Por ela ter ficado na posição pélvica, tivemos mais uma adversidade. O torcicolo congênito dificultou mais ainda ela conseguir amamentar do peito direito.
Foram inúmeras investidas, consultoras de amamentação, mastologistas, osteopatas, fonoaudiólogas e nesse mar de complexidade meu coração dizia para insistir na amamentação.
Meus pais e meu marido, vivendo de perto minha dor, insistiam na introdução da mamadeira e cada hora de amamentação virou uma hora obscura. Por dias, amamentar tornou-se um desafio e um obstáculo a ser enfrentado.
Sabendo da importância da amamentação para minha filha e de todos os benefícios, meu coração gritava todos os dias e me dava forças para continuar.
Foram dias difíceis, tristes e de dor emocional e física mas finalmente nossa amamentação ficou leve e tornou-se aquele momento fantástico entre mãe e filha.
Todo o esforço valeu e, por mais que hoje ela precise tomar fórmula por eu não ter uma produção suficiente, hoje ela mama mais no peito e eu faço questão de termos várias vezes por dia esse nosso encontro, que na golden hour e em seus primeiros dias de vida, nos foi tirado.
Texto: Ana Claudia